Blog Casais

    Postado em 20 de Maio às 17h33

    SEU CIÚME É NORMAL?

    Casais (33)

    Algum nível de ciúmes é necessário em todo relacionamento. Todos nós, alguma vez, já o sentimos. As pessoas costumam dizer que o ciúmes é o tempero do amor, aquela pitada que o incrementa, mostrando que o interesse de um pelo outro permanece aceso. A presença de ciúmes é saudável nas relações amorosas. O ciúmes serve como um sensor. Sua ausência, tanto quanto seu excesso, pode prejudicar o relacionamento.

    Muitas vezes reações de ciúmes são esperadas, por exemplo na descoberta de uma infidelidade.Também quando não há intimidade suficiente no relacionamento, o ciúmes pode se intensificar, pois o companheiro tenta desesperadamente seguir por uma estrada onde a sinalização não é clara e por isso fica testando o relacionamento o tempo todo.

    Quando o ciúmes se torna excessivo, ao invés de fazer bem ao relacionamento, acaba tendo o efeito oposto, muitas vezes afastando o companheiro. Na ânsia de não perder a pessoa amada, o ciumento cerca os passos e sua liberdade de seu parceiro de tal modo, invadindo seu espaço pessoal e sua privacidade, ferindo seus sentimentos com acusações infundadas, que afrouxa os laços que os uniam. O controle que o ciumento excessivo tenta ter sobre o seu parceiro vai "sufocando" a vítima do ciúmes, que se afasta cada vez mais para poder "respirar". Seus atos, suas amizades, seu trabalho, seus pensamentos, suas fantasias e lembranças, tudo parece ameaçar a segurança do ciumento. O ciúmes doentio faz com que sua vítima se sinta cada vez mais ressentida com a falta de confiança do companheiro em seu comprometimento para com ele.

    De modo geral, o ciúmes muito intenso é sinal de dificuldades emocionais.

    A desvalorização de si mesmo, a baixa estima, é uma das causas importantes do ciúmes intenso. Pessoas seguras de si, de seu valor, costumam lidar bem com seus sentimentos de ciúmes, não se deixando levar por eles e até fazendo com que revertam em proveito do próprio relacionamento. A segurança contra a competição é a grande arma destas pessoas.

    Outro fator que podemos apontar como fator do ciúme excessivo é o medo da intimidade, que é utilizado neste caso para distanciar o parceiro neste caso. Mas não só da intimidade sexual, da intimidade como um todo, de poder mostrar-se ao outro como realmente se é.

    Outro fator que pode levar à desconfiança e ao ciúmes descontrolado é a mudança no comportamento do parceiro, que pode ser interpretada pelo companheiro como sinal de que pode estar havendo ou haver maior oportunidade de traição.

    A diminuição da frequência sexual de um dos companheiros pode ser uma destas mudanças.

    O aumento do interesse do parceiro por eventos sociais, amigos e outros assuntos que não faziam parte do contexto deixam o ciumento de “orelhas em pé” sobre o que "parecia sobre controle".

    Um fator importante em todos os casos de ciúmes demasiado é a prevalência da fantasia em lugar da realidade, que alimenta esta emoção. Pensamentos e/ou imagens distorcidos aumentam o ciúmes, o que leva a novos pensamentos e/ou imagens distorcidos, em um círculo vicioso.

    O ciumento excessivo, muitas vezes, deve "perder o medo de perder, para não perder". Manter um equilíbrio entre o medo de perder o parceiro e as evidências reais de perigo de abandono é essencial para o ciúmes sadio.

    A ajuda psicoterapeutica é indicada se há ciúmes excessivo. A psicoterapia individual pode ser bastante útil nestes casos. A psicoterapia de casais pode ser indicada paralelamente, isto dependendo da especificidade do caso, que deve ser avaliada pelo psicólogo.


    Ieda Dreger
    Psicóloga e terapeuta sexual


    Postado em 20 de Maio às 17h27

    FALANDO SOBRE INFIDELIDADE (perguntas e respostas)

    Casais (33)

    No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.

    1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.

    2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.

    3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.

    4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há uma novidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
    A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.

    5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.

    6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.

    7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc. A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.

    8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.

    9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.


    10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.


    Ieda Dreger – psicóloga e psicoterapeuta sexual
    www.iedadreger.com.br


    Postado em 31 de Maio de 2016 às 11h11

    Infidelidade - Perguntas e respostas

    Casais (33)

    Falando sobre infidelidade

    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Falando sobre infidelidade No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a...
    No consultório e em meu site, tenho visto, ouvido e sido questionada sobre várias itens com relação a infidelidade. Fiz uma mescla de alguns deles e vou respondê-los a fim de esclarecer alguns mitos.
    1. Quando revelada a infidelidade, há o divórcio: Ninguém casa pensando que um dia vai ser traído, mas é inevitável também não pensar sobre isso. Diversas pessoas, quando não passaram por tal situação enchem a boca para dizer que jamais perdoariam e depois a história muda. Na grande maioria dos casos a infidelidade não é “o” problema, e sim a forma de manifestação de um problema. Para muitos casais com os quais trabalho a infidelidade é uma forma de reconstruir o casamento, amadurecer a relação e torná-la mais forte.
    2. Todo mundo trai. A infidelidade tem realmente crescido. Isso leva cada vez mais casais a buscarem ajuda psicológica. Mas estamos longe de dizer que TODOS traem. Isso seria uma posição confortável para aquele que trai. Pode aliviar a consciência apenas. Diversos casais vivem bem sem passar por esta turbulência.
    3. Quem trai não ama o cônjuge. Muitas vezes é apenas uma forma de mostrar a insatisfação, mesmo que ainda exista amor. Ainda que condenável, o início de relação extraconjugal está mais perto de uma falta de capacidade de lidar com os problemas de uma relação, de um casamento, do que a falta de amor. Às vezes a falta de diálogo para pequenos desgostos como rotina, desgaste, falta de afeto, etc.
    4. A terceira pessoa é mais bonita, mais elegante ou mais inteligente do que o cônjuge. Claro que num primeiro momento a gente pensa que se há uma troca, deve ser para melhor. Mas precisamos pensar que em qualquer início de relação há umanovidade, baseada na sobrevalorização das qualidades e na desvalorização dos defeitos, trás o frescor que parecia perdido, a paixão, o êxtase, “as borboletas no estômago”.
      A terceira pessoa representa, sobretudo, a oportunidade de viver momentos geradores de bem-estar (em oposição aos momentos de tensão do casamento). O que é valorizado é o prazer destes encontros, e não as qualidades pessoais do(a) amante.
    5. A responsabilidade é do cônjuge traído. Isso ainda é um papo que apareceu nas gerações mais antigas, mas ainda há quem acredite que a infidelidade aconteceu porque o cônjuge traído não “esteve à altura”. O pior, tem traídos que acreditam nisso. É preciso olhar para a relação no seu todo: compreender o papel que a infidelidade veio ocupar na história do casal é um processo mais complexo e profundo.
    6. A infidelidade apimenta a relação. Esta é outra ideia confortável para o cônjuge traidor. Ninguém gosta de ser enganado, seja em que área da vida for. Há formas consentidas de apimentar a relação como swing que seria trazer uma terceira pessoa a relação. Uma traição revela um problema que representa uma quebra de confiança a qual nem sempre é recuperável.
    7. É possível esconder “o caso” e proteger o casamento. Mesmo que o cônjuge traído não busque medidas radicais como colocar um detetive, a maioria das relações extraconjugais acaba por ser descoberta de uma ou de outra forma. Às vezes é por via dos filhos, outras vezes o próprio cônjuge traidor abre o jogo, ou deixa rastros tão evidentes que se faz descobrir, etc.A revelação do segredo pode constituir um forte abalo para todos os membros da família e, ao mesmo tempo, funcionar como um ponto onde se pode virar o jogo. Nenhum casamento está protegido quando há segredos desta natureza.
    8. A infidelidade é mais comum entre os casais que estão sempre a discutir. A verdade e realidade de cada casal está muito distante daquilo que observamos, por isso algumas vezes somos surpreendidos por pessoas que nos pareciam modelos e estão em processo de separação. Discutir não é necessariamente mau. Os casais que temem o confronto, a discussão sadia, estão tão vulneráveis ao problema da traição quanto aqueles que discutem muito. A harmonia conjugal não é mensurável através do número de discussões.
    9. Quem trai não sofre. A infidelidade não pode ser confundida com um azar, fruto de qualquer conspiração divina. Quem trai faz uma escolha e deve assumir essa responsabilidade. Mas isso não implica que a pessoa mereça ser condenada ou que não esteja a sofrer. Poucas pessoas conseguem manter uma relação extraconjugal sem se sentirem debaixo de forte pressão. Os sentimentos contraditórios por que passam podem ser difíceis de entender para quem acabou de ser traído, mas são reais. A atração pelo desconhecido e pela novidade, junta-se a sentimentos de culpa e amor ao cônjuge e podem gerar a sensação de que não há saída possível. Por isso, há pessoas que procuram ajuda especializada nestas circunstâncias.
    10. Lembre-se, fidelidade é uma questão de opção.

    Postado em 24 de Maio de 2016 às 11h45

    A infidelidade é capaz de trazer benefícios ao relacionamento?

    Casais (33)
    A todo o momento ouvimos e vemos reportagens, entrevistas, relato de vida e histórias sobre casamento, sexualidade, amor e traição.
    O que é traição? Uns defendem que só olhar e desejar outra pessoa já é traição. Outros defendem que fazer sexo com outra pessoa é traição. Alguns ainda defendem que um envolvimento afetivo é que é traição. Há quem defenda que se e o outro não ficar sabendo, não há problema algum, porque “ninguém foi prejudicado”. Há ainda os que defendem que sexo e amor são coisas diferentes, portanto “transar” com outra pessoa não é problema.
    Mas são estes os únicos termos em que se pode examinar a infidelidade? Ou haverá outros fatores que vão além da moral tradicional e da conveniência social? Gostaríamos de sugerir que há pelo menos três maneiras pelas quais a infidelidade pode ser desastrosa para o futuro de qualquer casamento.
     
    1. Inevitavelmente, ela causa desapontamento ao outro cônjuge.
    Entendemos por casamento, mais do que um estado legal, mas uma união pelo amor, onde há um comprometimento de aceitar a responsabilidade um pelo outro. O casamento inicia com a fé, onde duas pessoas se confiam uma a outra, acreditando que nenhum tentará magoar o outro e que juntos procurarão realizar-se.
    O primeiro rompimento desta fé é a básica. Não é algo relacionado ao sexo e sim quando um dos cônjuges resolve afastar-se do seu companheiro em busca de outro tipo de intimidade e satisfação...E faz disso um segredo. Vai alegar que tudo o que o outro não souber não o magoará. Mas o próprio afastamento gradual sem que o outro saiba, a questão de contar a outros o que não conta mais ao companheiro presente, o mau humor em muitos momentos...São formas de demonstrar que o segredo não é um segredo. E a simples suspeita torna o outro constrangido e desvalorizado.
     
    2. Encobre o verdadeiro problema
    A infidelidade pode, por algum momento, aliviar os sintomas de descontentamento, mas encobre o verdadeiro mal e permite que ele aumente. Muitos casais fazem de conta que se contentam como uma situação atual e receiam falar ao parceiro o que lhes incomoda. Sentem-se embaraçados para falar de sexo ou sentem-se envergonhados de pedir auxílio e amor. Seja qual for o motivo, não se arriscam a dizer: “Escuta, estou infeliz. Há algo que está errado... estou frustrado...”. Ou seja lá o que for. Não há diálogo, e a pessoa prefere começar outra relação em vez de resolver os problemas desta, imaginando que nesta outra relação não haverá problemas. É importante lembrar que o que não resolvemos nesta relação levaremos junto para outra relação. Ou seja, é o nosso padrão de lidar com os problemas que levamos junto. E quando houver um problema na nova relação, a pessoa vai fugir de novo.
    Mas as pessoas, na maioria das vezes, não procuram um diálogo franco, com seus riscos e promessas.
    Uma separação sem diálogo, sem que haja uma compreensão das razões, deixa muita mágoa e uma situação muito pior do que se tivesse havido uma conversa franca.
     
    3.  Tende a machucar a personalidade
    O cônjuge infiel que finge que, mantendo casos secretos, está protegendo seu casamento, está enganando a si mesmo. A traição transforma a pessoa traída em inimigo, uma pessoa que trai a si mesma é sua pior inimiga.
    O mentiroso também paga um preço alto por mentir. Há o sentimento de culpa, além do medo de ser desmascarado...Mas há ainda o preço biológico. Porque? Como qualquer ser humano buscamos o prazer e fugimos da dor. Contam a verdade é uma forma de procurar o prazer da intimidade. Contar mentiras é uma forma de evitar castigo e dor. Quando sentimos que precisamos mentir a alguém que confia em nós, ficamos presos naquilo que os psicólogos chamam de dilema duplo. O que quer que façamos, perderemos. E quando mentimos, em vez de nos aproximarmos, nos distanciamos. Porque tendo mentido, não pode mais falar do fundo do seu coração. Precisa censurar todos os seus pensamentos antes de falar. Isso gera uma tensão física muito grande e uma falta de relaxamento e satisfação.
    É possível se livrar disso? Claro. Talvez não sem dor, mas é preciso resolver este conflito dentro de si mesmo. A fim de recuperar sua integridade emocional, precisa admitir que mentiu a si mesmo e compreender o que isso significa. É necessário ainda livrar-se da idéia de que infidelidade protege o parceiro e o casamento. Isso é uma inverdade. Dê escolhas ao outro e a si. O que nos ajuda sempre é um diálogo.
    Mas o mais precioso é ser sincero consigo mesmo. Ser fiel a si mesmo. E quem é fiel a si mesmo, não esconde, possui a fidelidade do amor, não do temor; da escolha, não do acaso; do diálogo, não da mentira.
     
     Por Ieda Dreger. 

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