Postado em 24 de Maio de 2016 às 14h07

    Avós não substituem os pais

    Gerais (41)

    A diferença de gerações faz ao avós tratarem os netos com condescendência.

    Meu marido recebeu uma ótima proposta para trabalhar no exterior, mas meus filhos, de 11 e 14 anos, se recusam a mudar.
    Deixa-los com os avós é uma alternativa?

    À primeira vista, entregar os filhos aos avós parece a solução perfeita. Seus adolescentes estariam bem cuidados e manteriam as atividades e o grupo de amigos. Os avós não seriam privados da convivência com os netos. E você e seu marido pilotariam a situação à distancia, com bônus de encarar o reinício de vida em outro país sem preocupações com os garotos. Na realidade, porém, é grande o risco de conflitos e prejuízos ao desenvolvimento deles.
    Para começar, a relação com os avós tende a se desestabilizar rapidamente. Afinal, hospedar os netos em casa de vez em quando é bem diferente de tê-los como moradores. Haja energia para acordar cedo, mandar para a escola, dar carona, apartar brigas, arrumar a bagunça e tudo o que vem a reboque do convívio com um adolescente! Sem falar na pressão de tomar decisões e assumir a responsabilidade pela formação deles. Pior se os pais decidirem “teleguiar” a educação dos garotos. Aí, os avós provavelmente não farão direito nem aquilo em que acreditam nem o que os filhos esperam... e os netos irão manipular ambos.
    Os adolescentes, por sua vez, seriam privados do confronto de opiniões e valore com os pais, fundamental para aprender a resolver conflitos, respeitar diferenças e afirmar convicções. Com os avós, esse capítulo fica de fora e cria-se uma condescendência em nome da “diferença de gerações”. A sensação de abandono é outro dano. No futuro, eles vão esquecer que quiseram ficar e cobrar a ausência dos pais. A situação pode até derivar para acusações e condutas de risco, como forma de chamar a atenção.
    Manter a família unida evita essa bomba de efeito retardado. Chame os dois para uma conversa e explique que prevalecerá a decisão de vocês, pais, sobre mudar ou não. Reconheça que é natural ficarem chateados por se afastarem dos amigos, mas lembre a eles que, lá, também vão se enturmar e poderão alimentar os relacionamentos atuais por meio das redes sociais. Mostre que, ás vezes, a realidade impõe caminhos que não coincidem com o que desejamos e que a experiência de morar no exterior, embora assuste, é enriquecedora e traz possibilidades de boas surpresas.
    Se quiser(e puder) evitar uma ruptura brusca, você e seu marido podem ir na frente, para procurar casa e escola, e eles alguns meses depois. Não crie falsas expectativas, na linha do “se não gostar, quem sabe a gente dá um jeito”. É preferível ser sincera e enfrentar a cara virada, típica de adolescentes, com a certeza de ter feito a melhor escolha para vocês e para eles.

    Por Elizabet Brandão. 

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