Postado em 24 de Maio de 2016 às 14h14

    Violência dentro de casa! Não se cale!

    Gerais (41)

    Assunto delicado e cercado pelo silêncio e medo, a violência dentro de casa existe em todas as classes sociais, culturais e níveis de educação. Porém, a maior parte das famílias, fecham os olhos para o comportamento violento ou o abuso do poder.
    Além das ameaças e agressões físicas e sexuais, a violência também acontece de uma forma passiva e ignorada, na maior parte das vezes, por meio da palavra.
    Geralmente a pessoa desconsidera esse tipo de agressão. Como se ser constantemente xingada e humilhada fosse uma coisa normal. Mas ela também se mostra perversa e dolorosa, causando confusão e medo. Ninguém bate em ninguém, mas sente-se o impacto como se fosse um soco. Exemplos de frases: “você não sabe nada”, “você é um inútil”, “cale a boca”, “faço isso para o seu bem”, “cabeça de porco” ou “cabeça para usar chapéu”, “que burro”, “que anta”, “você é uma gorda”, ... são utilizadas na maioria dos diálogos. A vítima sente-se inferior, desprezada e precisa de ajuda para perceber e não aceitar esta forma de relacionamento doentio.
    Em uma família mais saudável, discussões e brigas também acontecem. Mas, além de não serem constantes, quando são agredidas as pessoas respondem, conversam ou brigam, sem tanto medo das conseqüências. Não guardam. Precisamos compreender que quem guarda e engole a agressão está aceitando ela, está compreendendo que realmente é assim, conforme a descrição do outro.
    Faz parte da natureza do ser humano ser agressivo ou ficar com raiva. O problema reside em relacionamentos frequentemente violentos, sem o respeito mútuo, desqualificando e desconsiderando o outro.
    Em geral, a violência doméstica surge como um ruído, decorrente de algum problema não resolvido dentro daquela família. Muitas vezes, após um grande sofrimento, as pessoas preferem não falar sobre isto, por medo de se machucar ainda mais e acabam não exteriorizando suas inseguranças. Assim, as provocações, brigas e agressões surgem como a manifestação de um desespero sobre algo mal resolvido e se intensificam desestruturando a família.
    Hoje em dia algumas mulheres também agridem seus maridos, mas os homens têm vergonha de denunciar. Já houve casos de esposas que bateram em seus companheiros com muita intensidade, chegando até a machuca-los enquanto eles dormiam. Mas, apesar de alguns homens também sofrerem, as maiores vítimas ainda são as crianças e adolescentes. E quando falamos em violência em casa, estamos falando também da violência de filhos para com seus pais, de pais para com os filhos, da violência entre irmãos, contra avós, funcionários da casa, enfim, contra as pessoas com as quais convivemos diariamente.
    No caso das crianças, se não houver diálogo, mas só punições, a criança entender que também deve bater, agindo da mesma forma na escola, por exemplo. Quando cresce, tende a repetir este comportamento em sua família ou, ao contrário, acaba se envolvendo em relacionamentos em que será vítima novamente
    Estimular o diálogo na família e evitar que os problemas sejam guardados e que a violência seja a única forma de relacionamento entre as pessoas é o passo mais importante. A conversa diária, em que todos exponham seus problemas, mostra-se a melhor solução para tratar da violência antes que ela se desenvolva. Com isso, aprende-se também a lidar com a dor que surge ao se falar sobre assuntos difíceis e tristes.
    O em caso de violência física, maus-tratos e humilhação, tanto sobre a criança como sobre qualquer outro membro da família, denuncie. Não tenha vergonha, vergonha deve ter o (a) agressor (a). Você estará evitando que o (a) agressor(a) continue agindo desta forma e permitindo que a vítima tenha uma vida digna e segura.
    Se você estiver sendo agredida (o), busque ajuda. Não se acomode na sua dor. Não fique sozinha (o).

    Por Ieda Dreger. 

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