Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h25

    Você sabe o que é Violencia Emocional?

    Personalidade (33)

    Embora a violência doméstica seja a mais comum, não posso deixar de falar da violência emocional, por ser ela a mais silenciosa forma de violência doméstica e para a qual não é dada muita atenção, mas diante da qual tenho tido um número crescente de atendimentos em meu consultório.

    Porque não lhe é dada a atenção devida? Porque ele é tão sutil, que nem a vítima, muitas vezes, sabe que é vítima. O agressor consegue envolver tudo em tanta manipulação que deixa a vítima confusa, por isso é importante compreender o que significa violência emocional.

    Na violência emocional, a arma mais frequentemente utilizada é a manipulação, a chantagem. A vítima é sempre acusada de ser a origem de todos os problemas do casal. Com choros, lamúrias, histórias dramáticas, o agressor procura fazer com que o cônjuge sinta-se culpado. Isso acontece em outras áreas da vida do agressor também, já que ele tem um tipo de personalidade que considera que tudo o que acontece em sua vida é culpa dos outros, ele não tem responsabilidade sobre isso. Ele é o grande sofredor, a grande vítima, a quem tudo de negativo acontece na vida, algumas vezes falando em suicídio e coisas do gênero.

    Para exemplificar, tive um paciente que saiu de casa uma noite e voltou apenas no outro dia pela manhã, quando chegou não quis explicar o que aconteceu, então se trancou no quarto e começou a chorar falando de tantas coisas ruins que tinham ocorrido em sua infância, o quanto tinha sofrido, etc. Sua esposa, em vez de ficar brava, ficou com pena e lhe estendeu a mão, compreendendo seu “sumiço”.

    O agressor também tem uma tendência a minimizar ou desfazer as queixas e argumentos dos outros. Tudo dele é maior, mais sofrido, mais urgente, importante e necessário. Busca a atenção contínua e satisfação de todas as suas vontades.

    Para que isso aconteça e quando isso não acontece o agressor recorre a palavras depreciativas e humilhantes capazes de abalar a autoestima do cônjuge. Pode chegar a fazer acusações despropositadas, como: “você tem um amante”, do qual a vítima procura se defender, gerando um círculo vicioso. O fato de haver uma ligação emocional que envolve os dois, impede que a vitima perceba que está sendo alvo de uma chantagem ou manipulação.

    Mas a humilhação continua, quando o agressor está nervoso, passa a chamar a vítima de gorda, burra, feia, etc., claro que com posterior pedido de desculpas, momento em que o agressor na verdade não reconhece o erro e ainda arruma uma desculpa dizendo-se “nervoso porque...”. Ou seja, não reconheçe o erro, apenas o justifica.

    Muitas vezes ao agressor desfaz as características positivas do agredido com frases como: “você só tem isso porque eu ajudei”, “sem isso você não era nada”, etc. que não são mais do que tentativas de destruir a autoestima do outro e conseguir, assim, controlar a relação.

    Em alguns casos o agressor recorre a tanta manipulação que ele acaba por afastar o cônjuge do convívio dos amigos, o que impede que este veja a manipulação e demora muito mais tempo para que desperte deste terror.

    Na verdade não sei se o que me surpreende mais é o fato de que isto está se tornando mais e mais comum, ou seja, se o fato de o número de agressores estar crescendo ou se o fato do numero de vítimas caladas estar crescendo. Sim, porque as pessoas se mostram surpresas quando as confronto com o rótulo Em alguns casos as queixas de reações impulsivas e intempestivas do parceiro surgem intercaladas com comentários mais ou menos elogiosos ao comportamento. Talvez porque existem períodos de maior calmaria, estas mulheres são capazes de descrever o parceiro como alguém extremamente agradável, bom marido, ainda que “às vezes” ele perca o controle e agrida verbalmente. Ou seja, se tirar os episódios de violência “ele é um marido perfeito”

    Não existem maridos nem mulheres perfeitas e as pessoas casadas ou que vivam um compromisso sério devem ser tolerantes em relação aos defeitos da pessoa amada mas isso não inclui a permissividade/ passividade em relação a qualquer forma de violência. Não há nada de saudável numa relação que é pontuada por episódios de agressividade e tentativas de humilhação do cônjuge. De resto, estes episódios deterioram de tal forma a autoestima do cônjuge agredido que, no final das contas, não sobra nada de bom em uma relação construída nestas bases e pagando este preço.

    Por Ieda Dreger. 

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