Postado em 23 de Maio de 2016 às 17h50

    Discussão de casal, quando e como parar

    Casais (33)

    A grande maioria dos casais tem discussões e elas são bastante importantes numa relação. Mas existem aquelas discussões que se tornam muito agressivas, fortes e que nem trazem a tona o assunto mais importante, e sim ataques infundados e vão deixando marcas que se transformam em problemas maiores, difíceis de solucionar.
    Fazer as pazes às vezes é complicado e quanto mais freqüentes os ataques de agressividade, maiores as complicações. Porque os ataques vão minando a admiração, o carinho, e desejo, a parceria, etc.
    Penso que em primeiro lugar quando duas pessoas que se amam estão discutindo, há uma grande probabilidade de uma estar atacando e a outra se defendendo. Isso fica evidente em frases do tipo: “VOCÊ nunca chega cedo em casa”, “VOCÊ sempre esquece o que combinamos”, “EU sirvo apenas para fazer o que você manda”, “EU sou o único que lutar por esta relação, VOCÊ não faz nada”, etc. É claro que numa discussão ambas as pessoas querem ter razão, mas para uma primeira dica, é sempre melhor usar o NÓS. “Nós estamos cansados de brigar desta forma”, “NÓS brigamos e não chegamos a lugar algum, talvez precisemos de ajuda”, etc.
    Claro que isto nem sempre é fácil, mas não é fácil manter um relacionamento, seja ele da forma que for. Qualquer relacionamento necessita de investimento e de percepções. Particularmente a percepção de ver onde cada um está errando no sentido de manter este tipo de discussão que não leva a resultado algum. Sim, porque quando acontece este tipo de discussão, ambos estão errando, mesmo que não o percebam. Falemos no exemplo do grito. Uma pessoa grita, a outra se cala. Quanto mais o outro se cala, mais a primeira grita. Os dois estão errando.
    Como ninguém grita com a pessoa que ama “por acaso”, o desafio é imensamente difícil. É preciso controlar os impulsos e perceber que o sentimento deve ser exteriorizado desta forma. Mesmo que a mensagem que se quer transmitir seja “Ouve-me, por favor”. Claro que do outro lado o exercício também tem de ser feito. Quem “foge” à discussão, mostrando-se imperturbável perante os gritos histéricos do cônjuge, até pode estar tentando conter a escalada, mas, na prática, está fazendo o problema ainda maior e deve ser capaz de assumir isso.
    Quando somos capazes de perceber que existem padrões comportamentais que estão impedindo-nos de dialogar com o nosso cônjuge, abre-se a porta para que possamos falar abertamente sobre o mais importante – os nossos sentimentos. Mas este não é um desafio mais fácil do que os anteriores, já que nem sempre somos capazes de expressar as nossas emoções sem cair na tentação de atacar o outro. Não podemos esquecer que as nossas feridas nos tiram o discernimento e que, por isso, não raras vezes nos sentimos dominados pelo medo e acabamos por ignorar que estamos tocando nas feridas emocionais (pontos fracos) da pessoa que amamos e, assim, contribuindo ativamente para a manutenção do ciclo vicioso.
    Que emoções estão, de um modo geral, por detrás destes ciclos viciosos? Muitas vezes a tristeza e a vergonha, mas também a ansiedade, o medo de perder o cônjuge.
    A partir do momento em que somos capazes de identificar os padrões que nos levam a brigas fica mais fácil ter acesso às reais emoções.Por exemplo, se a mulher for capaz de perceber que quando rejeita a iniciativa do marido para a sexualidade isso pode estar gerando nele um sentimento de rejeição mesmo, talvez ela possa trocar o “estou com dor de cabeça” para algo como: “hoje foi um dia muito cansativo e não estou com disposição...”. Falando com clareza e abertamente sobre o problema, seja ele qual for.
    Quando assumimos a nossa responsabilidade na dinâmica de uma discussão e compreendemos que os nossos comportamentos (aquilo que dizemos de forma verbal e não verbal) desencadeiam no cônjuge alguns medos, torna-se mais fácil assimilar aquilo que o outro sente e partilhar a sua dor perante a rejeição.

    Por Ieda Dreger. 

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