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Postado em 24 de Maio de 2016 às 14h30

Quando a comunicação na internet causa problemas

Hoje abordo um tema muito comentado. A internet e suas associações. Porque associações? Porque a internet é uma forma fantástica de nos conectarmos ao mundo, buscarmos assuntos diversos, viajarmos sem sairmos do lugar, estudar, pesquisar, trocar...
Como tudo na vida, a internet também precisa de limites, e é aí que as coisas se perdem.
Porque existem problemas em nos relacionarmos pela internet? Não existem problemas, desde que ela seja um meio e não um fim. Vou exemplificar com a questão do namoro pela internet. A maioria dos namoros que começa pela internet não sobrevive a alguns encontros, porque com a internet as pessoas se escondem, passam uma imagem que não é a delas e que não precisa ser. Talvez aquilo que gostariam de ser, ou aquilo que imaginam que o outro queira. Além disso, porque algumas pessoas se apaixonam tão facilmente com contatos que fazem pela internet? Porque nos apaixonamos por aquilo que criamos. Imaginamos e idealizamos uma pessoa e quando passamos a conviver com ela as coisas se tornam mais claras. Aquela pessoa que na internet desligava o computador quando estava magoada, pode ser aquela que na vida real vai bater, ou aquela que não tem maturidade emocional e vai ocasionar muitos problemas. Aquela mulher maravilhosa que com a qual você conversa algum tempo por dia, pode ser aquela que na vida real está sempre mal humorada. Na internet o sujeito pode se apresentar como higiênico e depois ser um mal cuidado. O que quero expor aqui é que quando nos relacionamos no mundo virtual, criamos fantasias. Temos maior possibilidades de projetarmos no outro o que gostaríamos que ele fosse, e nos apaixonamos por nossa projeção. Na maioria das vezes essa projeção cai por terra na vida real.
A segunda questão sobre a internet que quero abordar é a amizade virtual. Porque muitos pais ralham com os filhos ou tem brigas homéricas quando os mesmos ficam em sites de relacionamento ou de bate-papo? Existe problema nisso? Sim, existe. Primeiro o tempo que se gasta/utiliza para isso. Deveria ser algo que não ultrapassasse uns minutos de folga, como aquela papo rápido quando você encontra uma amiga na rua. Papos longos se têm cara a cara, olho no olho. As pessoas deixam de fazer suas tarefas rotineiras e perdem seus compromissos para ficarem envolvidas com papos que nem sempre acrescentam, e tornam relacionamentos superficiais.
Além disso, a amizade não pode ser apenas virtual. Sabe aquela pessoa que não sai mais de casa e permanece fins de semana apenas teclando? Não faz mais trocas pessoais, não interage mais. Vive apenas no mundo virtual. Isso é preocupante porque a pessoa passa a não ter mais mundo real, o que pode ser significado de problemas. Vale a pena buscar ajuda.
O terceiro assunto relacionado à internet é a traição.Não existe uma regra válida para todos os relacionamentos, que defina de modo conclusivo o que seja (ou não) a traição, embora, de modo geral prevaleça o consenso de que o contato físico é sentido como a maior prova da falta de amor do outro. Mas, apesar de na internet não ocorrer o contato em sentido estrito, o ciúme invade o pensamento de muitos, do mesmo modo. A conversa sendo íntima permite à imaginação ir longe, compartilhando no espaço do virtual algo que antes só era dividido entre o casal.
Por exemplo, se antes um homem se masturbava vendo revistas ou filmes eróticos, hoje pode fazer o mesmo enquanto acessa sites que estão em constante atualização, ou ainda "vendo" uma mulher que está do outro lado do computador, e que pode realizar seus desejos, ainda que de modo virtual.
Neste caso, passamos a ter dois fatores presentes: não mais apenas a "imaginação" (ou seja, a fantasia), mas também a possibilidade da "presença" (ainda que virtual) de um "alguém" que realiza suas fantasias e ainda a complementa em conjunto.
Normalmente homens e mulheres têm um conceito diferente do que seja a traição. Para alguns o fato de acontecer o contato físico é a única traição real. Para outros o envolvimento afetivo é a característica mais marcante.
Porém, é desconfortável tanto para os homens quanto para as mulheres, saber que não é o "único" na vida do companheiro. Descobrir conversas mantidas por e-mails ou chats, ou a troca de fotos e imagens captadas por câmeras na web gera diferentes reações. Que estas formas de contato podem se tornar muito íntimas e pessoais não há dúvidas, mas a questão é como cada um (ou o próprio casal) encara tais situações. A fixação de um dos componentes de um casal por sites contendo fotos pornográficas, pode fazer com que seu parceiro se sinta menosprezado e excluído, como se tivesse defeitos a serem reparados, ou ainda possa supor que não é dotado de atrativos suficientes para satisfazer o companheiro.
Uma forma de lidar com estas complexas questões é a abertura da conversa franca dentro do próprio par, expondo-se as fantasias, sensações e pontos de vista de ambos. O objetivo seria, então, poder partilhar as necessidades do outro, desde que se respeite a própria vontade e limites individuais. Desse modo, a Internet talvez possa servir como um novo campo criativo, ou ainda um estímulo para que se amplie a experimentação da sexualidade. Ou ainda: um meio através do qual os casais possam enriquecer suas vidas sexuais. Lembre-se: O afeto continua a acontecer na vida "real".

Por Ieda Dreger. 

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