Postado em 23 de Maio de 2016 às 17h50

    Discussão de casal, quando e como parar

    Casais (31)

    A grande maioria dos casais tem discussões e elas são bastante importantes numa relação. Mas existem aquelas discussões que se tornam muito agressivas, fortes e que nem trazem a tona o assunto mais importante, e sim ataques infundados e vão deixando marcas que se transformam em problemas maiores, difíceis de solucionar.
    Fazer as pazes às vezes é complicado e quanto mais freqüentes os ataques de agressividade, maiores as complicações. Porque os ataques vão minando a admiração, o carinho, e desejo, a parceria, etc.
    Penso que em primeiro lugar quando duas pessoas que se amam estão discutindo, há uma grande probabilidade de uma estar atacando e a outra se defendendo. Isso fica evidente em frases do tipo: “VOCÊ nunca chega cedo em casa”, “VOCÊ sempre esquece o que combinamos”, “EU sirvo apenas para fazer o que você manda”, “EU sou o único que lutar por esta relação, VOCÊ não faz nada”, etc. É claro que numa discussão ambas as pessoas querem ter razão, mas para uma primeira dica, é sempre melhor usar o NÓS. “Nós estamos cansados de brigar desta forma”, “NÓS brigamos e não chegamos a lugar algum, talvez precisemos de ajuda”, etc.
    Claro que isto nem sempre é fácil, mas não é fácil manter um relacionamento, seja ele da forma que for. Qualquer relacionamento necessita de investimento e de percepções. Particularmente a percepção de ver onde cada um está errando no sentido de manter este tipo de discussão que não leva a resultado algum. Sim, porque quando acontece este tipo de discussão, ambos estão errando, mesmo que não o percebam. Falemos no exemplo do grito. Uma pessoa grita, a outra se cala. Quanto mais o outro se cala, mais a primeira grita. Os dois estão errando.
    Como ninguém grita com a pessoa que ama “por acaso”, o desafio é imensamente difícil. É preciso controlar os impulsos e perceber que o sentimento deve ser exteriorizado desta forma. Mesmo que a mensagem que se quer transmitir seja “Ouve-me, por favor”. Claro que do outro lado o exercício também tem de ser feito. Quem “foge” à discussão, mostrando-se imperturbável perante os gritos histéricos do cônjuge, até pode estar tentando conter a escalada, mas, na prática, está fazendo o problema ainda maior e deve ser capaz de assumir isso.
    Quando somos capazes de perceber que existem padrões comportamentais que estão impedindo-nos de dialogar com o nosso cônjuge, abre-se a porta para que possamos falar abertamente sobre o mais importante – os nossos sentimentos. Mas este não é um desafio mais fácil do que os anteriores, já que nem sempre somos capazes de expressar as nossas emoções sem cair na tentação de atacar o outro. Não podemos esquecer que as nossas feridas nos tiram o discernimento e que, por isso, não raras vezes nos sentimos dominados pelo medo e acabamos por ignorar que estamos tocando nas feridas emocionais (pontos fracos) da pessoa que amamos e, assim, contribuindo ativamente para a manutenção do ciclo vicioso.
    Que emoções estão, de um modo geral, por detrás destes ciclos viciosos? Muitas vezes a tristeza e a vergonha, mas também a ansiedade, o medo de perder o cônjuge.
    A partir do momento em que somos capazes de identificar os padrões que nos levam a brigas fica mais fácil ter acesso às reais emoções.Por exemplo, se a mulher for capaz de perceber que quando rejeita a iniciativa do marido para a sexualidade isso pode estar gerando nele um sentimento de rejeição mesmo, talvez ela possa trocar o “estou com dor de cabeça” para algo como: “hoje foi um dia muito cansativo e não estou com disposição...”. Falando com clareza e abertamente sobre o problema, seja ele qual for.
    Quando assumimos a nossa responsabilidade na dinâmica de uma discussão e compreendemos que os nossos comportamentos (aquilo que dizemos de forma verbal e não verbal) desencadeiam no cônjuge alguns medos, torna-se mais fácil assimilar aquilo que o outro sente e partilhar a sua dor perante a rejeição.

    Por Ieda Dreger. 

    Veja também

    Você sabe dizer não?24/05/16 Se não sabe, está na hora de aprender! Poucas são as pessoas que têm facilidade de dizer não quando alguém lhes pede alguma coisa. Por receio de parecerem egoístas ou grosseiras, elas seguem deixando-se sobrecarregar por não sentirem-se capazes de dar uma boa razão para sua recusa. Aprender a dizer não, entretanto, é essencial para o......
    Filhos que mandam e pais que obedecem?25/05/16 A responsabilidade de educar filhos é intransferível, ainda que algumas pessoas busquem fazê-lo. Mas o outro que vem cuidar é um substituto, nunca um pai. E as próprias crianças compreendem isso quando dizem:......
    Reprovação escolar, como lidar com ela?25/05/16 Poucas coisas são tão difíceis para a família quanto aceitar e conviver com a possibilidade de uma reprovação escolar. A idéia de “fracasso” tende a desestabilizar os pais. Não é......

    Voltar para Blog