Postado em 23 de Maio de 2016 às 17h55

    É possível voltar a ser feliz depois de uma traição?

    Casais (31)

    As pessoas dizem que o tempo é o melhor remédio para curar as dores de amor. Isto pode ser verdade para muitas pessoas e para outras não. Parte das pessoas traídas que continuam com o parceiro traidor encontram dificuldades para ser feliz de novo na relação, ainda que aparentemente pareça tudo normal. Dia após dia a mente da pessoa é perturbada com fatos antigos, fantasia sobre a relação extraconjugal que ficou para trás, curiosidades... mas é lembrada com tanta emoção como se fosse recente.
    A imaginação da pessoa traída corre solta. É comum a pessoa ficar se perguntando onde ocorriam os encontros? O que era falado? Em que o horário? O que eles faziam? E existe uma lista de incômodas perguntas não respondidas.
    Com muita frequência a pessoa que traiu é levada a falar mais detalhes sobre o caso. O traidor então, já exausto e desanimado em virtude da aquelas várias perguntas, ainda que arrependido pelo que aconteceu, sente que o “castigo” passa da conta.
    Para aquela pessoa que foi traída, por outro lado, tudo lembra traição, livros, novelas, conversas entre amigos. É como se este fosse perseguido pela própria história embora tenha vontade de esquecê-lo.
    A verdade é que a situações do dia-a-dia que levam a estas associações de idéias, estão na vida de todos, mas incomodam só os que não conseguem digerir a traição. A sensação é que eles jamais vão se livrar daquele desconforto. E isso não é verdade.
    A dificuldade em lidar com as perdas que uma traição provoca é que faz o traído, mesmo passando tempo, despender energia na manutenção da própria dor e melancolia. Assim, apesar de ter sido o traidor que desencadeou a confusão, a solução para esta situação está, também, na capacidade da pessoa traída de elaborar e superar a idéia da perda. Não adianta nada correr atrás de mais detalhes sobre o que e como aconteceu. Mais informações dão somente a impressão de maior controle sobre o ocorrido, na prática ,porém, servem apenas para alimentar uma perturbação individual e também do casal.
    É muito importante entender que uma grande decepção é sentida sim como uma morte concreta de um ente querido e como tal essa morte deve ser elaborada. Claro que primeiro vem o choque, seguida de uma tentativa de negar aquilo que aconteceu... incredulidade, raiva, revolta, ansiedade, depressão... São etapas naturais do luto, que é um recurso interno saudável para suportar a dor de lidar com essa perda.
    O grande problema é que muitos interrompem o processo nesta fase e não saem mais do velório eterno. Porque velório eterno? Porque a etapa seguinte para superar a tristeza exige da pessoa “enlutada” maior capacidade de elaboração.
    Para dar a volta por cima, a pessoa traída precisa avançar e ir deixando para trás cada fase da elaboração da perda. Em alguns casos, é necessária a ajuda de um profissional. Mas a pessoa precisa querer ser ajudada e se ajudar, e não correm o risco de permanecer na fase do velório eterno.
    A pessoa traída sente que algo morreu e, simbolicamente, morreu mesmo. Não existem mais aquele companheiro ou companheira que imaginava ter, embora esteja bem vivo e em sua frente.
    Ouço algumas frases como: “gostaria de enterraram esta história de uma vez por todas”, “quero me livrar desse fantasma” e “a traição foi uma morte para mim”. De fato, mesmo com o desejo de continuar com o parceiro, é preciso se despedir daquele amor que ficou lá atrás e enterrar o passado para fazer nascer um presente e um futuro. Não se trata de esquecer, mas de aceitar o fato e usá-lo para crescer. Não adianta perguntar o motivo da traição, mas o porquê de continuarem juntos. Se a decisão foi de ficar neste casamento, nesta união, a energia antes direcionada a quem não conseguiu valorizá-lo deve ser reinvestida na mesma pessoa, mas em outros moldes. Uma nova etapa com o mesmo companheiro ou a mesma companheira pode ser mais feliz. Afinal, perde-se a fantasia e ganha-se a realidade. Trata-se de reiniciar a união e em bases mais seguras, com um parceiro que, se por um lado causou dor, por outro pode estar disposto a fazer nascer uma relação mais inteiro.
    Não estou dizendo que é fácil, mas que você analise se vale pena ou não. Não deixe de buscar ser feliz.

    Por Ieda Dreger. 

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