Postado em 23 de Maio de 2016 às 17h53

    O que vem depois do "sim" no altar?

    Casais (31)

    Dificilmente encontraremos uma mulher que quando menina e brincando de boneca não sonhou em ter uma família, com marido, filhos...dificilmente encontraremos um homem, que quando menino em suas primeiras paixões, não desejou que aquela relação fosse para sempre.
    Assim, esse menino e essa menina cresceram e se transformaram em adultos...apaixonaram-se e resolveram se casar.
    Muitos deles ainda acreditam nas histórias com finais: “seremos felizes para sempre”. Quem não deseja isso? Talvez muitos desejem, mas poucos se dedicam para que isso aconteça.
    A maioria das pessoas pensa que depois de casar “tudo se resolve”, “não preciso mais me esforçar, ela já é minha”, não há mais necessidade de se dedicar, já estamos casados”...como se o casamento fosse a resolução de uma série de problemas.
    O casamento é apenas uma nova etapa da vida, que pode ser pior ou melhor, dependendo do investimento de vocês. Não investimento financeiro, pra ter isso ou aquilo, mas investimento nesta nova etapa que, pela proximidade, pode trazer alguns problemas desconhecidos anteriormente.
    Muitas pessoas casam buscando o amor perfeito. Mas o que é o amor perfeito? Não é aquele “que vai resolver todos os meus problemas”, mas é “amor saudável”, aquele amor que recusa a auto-anulação, propõe a existência, a individualidade, o respeito ao outro, a solidariedade, o companheirismo, e a confiança mútua.
    Uma das coisas mais preciosas e importantes numa relação é a comunicação. A comunicação é mais abrangente e complexado que nos damos conta. Ao falarmos emitimos também as nossas preocupações, sentimentos, visão de nós e do outro. Além disso, vale lembrar que a comunicação não se dá apensa de forma verbal, existem outras formas de nos comunicarmos como: gestos, expressões faciais, intransigência...e até o silêncio.
    No entanto vou me abster a comunicação verbal. Atrás de uma palavra ou expressão enviamos uma séria de mensagens, o outro que nos ouve vai compreende-la influenciado por seus pensamentos, sentimento e formas de percepção. Por isso muitas vezes falamos uma coisa e o outro compreende outra coisa.
    A comunicação quando conturbada pode levar um casal a situações pouco confortáveis e até mesmo a separação. Quando as pessoas se unem, namoram, casam e os diferentes tipos de união, ambas vêm de famílias diferentes que tem formas próprias de expressar o que sentem e pensam. Essas formas são absorvidas ao longo da vida com suas famílias e grupos de amigos e as pessoas já estão acostumadas a usa-las.
    Ao se relacionarem com seus parceiros no intuito do cultivo do amor e da vida a dois, o amor não serve como bengala se a comunicação está inadequada. Então se inicia o desencontro. Quando um fala o outro não ouve, um simples pedido soa como uma ordem, uma reclamação passa a idéia de insatisfação e desqualificação.
    São inúmeras as situações cotidianas onde a comunicação passa a ser utilizada como uma arma na luta de poder entre o casal levando-os a uma escalada de discussões estressantes e intermináveis, tornando-os tão envolvidos em saber quem está com a razão, impedindo desta maneira o cultivo do diálogo e do entendimento do significado desse para cada um, não observando como o outro o recebe.
    Desta forma a relação já está contaminada pelo não dito e pelas frustrações e mágoas que cada parceiro acumulou. Neste momento, qualquer palavra, gesto, olhar ou atitude poderá contribuir para um círculo vicioso que se alimenta a cada movimento do casal, mantendo-se como uma dança que se constrói por anos, até ocorrerem fatos na vida que exijam do casal uma reorganização, podendo leva-los ao seu encontro ou desencontro.
    Se a comunicação conturbada adoece o relacionamento, os diversos rios que alimentam essa relação - como interesse mútuo, admiração, confiança, fidelidade, perspectiva de futuro, construção da felicidade, interesse sexual e amor - adoecem junto.
    Não pretendo dizer que o amor não resiste ao desgaste do cotidiano, mas sugerir que, com o passar do tempo, uma história de amor que não prioriza a boa comunicação pode acabar perdendo o brilho, criar tédio e afastamento, além de desencanto e desilusão. Mas não tem que ser assim.
    Fomos embalados por histórias de príncipes e princesas que marcaram nossa infância, acreditamos que o casamento é uma garantia de eterna completude ( estarmos completos) e que o encontro amoroso trará segurança de um afeto para sempre, sem perder jamais o brilho.
    Mas a construção do amor se faz a cada dia. Os perigos se renovam, mudam de aspecto. É preciso estar alerta para não se deixar seduzir pelas armadilhas. É necessário ser forte para não ser envolvido pela mesmice.
    O diálogo é rico na manutenção do vínculo amoroso e proporciona o respeito mútuo das características de cada um, o fortalecimento de suas afinidades, continuidade e qualidade da relação.
    A vida não é uma alegria constante, ela é feita de bons e maus momentos, quando aprendermos isso, estaremos mais aptos a viver sem esperar que a vida seja um conto de fadas. Que uma vida a dois exige renúncias sim, mas trás equilíbrio e um colorido especial. O amor é feito de auto-estima em primeiro lugar, e de consideração e respeito pela pessoa amada, pelas diferenças e semelhanças e com muita comunicação.


    Por Ieda Dreger. 

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