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Postado em 24 de Maio de 2016 às 16h19

Uma palavra sobre o ciúme

Outro dia, falei com meu amigo Thiago, no programa Ver Mais, da RicRecord, sobre o ciúme. Como vieram diversas perguntas para o meu site depois disso, resolvi escrever sobre o assunto.

Ter ciúme é normal?
Sim, assim como o medo tem a função de proteger você de se colocar em situações de perigo, o ciúme serve como um sensor de perigo e tem a função de preservar o relacionamento. Percebo que a ausência total de ciúmes deixa no parceiro a sensação de não ser amado o suficiente.

Quando o ciúme vira doença?
O ciúme não é uma doença, mas pode se tornar, quando ele fica excessivo, ou pode ainda ser sintoma de algum transtorno, como o TOC, alcoolismo, esquizofrenia, etc. Assim, ciúme não tem sintoma, ele próprio pode ser o sintoma de alguma problema mais específico.

O ciúme normal é algo transitório, em um assunto específico e sempre baseado em fatos reais. O ciúme patológico é aquele que apresenta uma preocupação infundada, fora de contexto, irracional.

Conheci uma pessoa que foi jantar com seu namorado. Chegando ao restaurante, ele encontrou uma ex-colega de faculdade, trocaram algumas palavras e o casal sentou-se. Passado algum tempo, a namorada foi ao banheiro, quando voltou e ex-colega havia pagado a conta e parou na mesa do namorado para se despedir. A namorada, vendo a cena, partiu para cima da ex-colega com garfo, faca e tudo o que tinha em cima da mesa. Claro que o relacionamento terminou por ai, mas a ex-colega teve diversos problemas e foi encaminhada ao hospital.

Às vezes o ciúme surge por causa de insegurança, baixa autoestima, imaturidade emocional e outros aspectos emocionais relacionados a história afetiva das pessoas envolvidas na relação. Pode também surgir pelo medo do abandono, da solidão, sensação de perda emocional, pela forma como o casal construiu seu espaço de intimidade e diálogo e pela forma como o casal enfrenta suas dificuldades.

Existem tratamento?
Claro que sim, o tratamento pode ser feito com psicoterapia, a linha Comportamental tem boa aceitação neste sentido, porque ajuda a examinar o comportamento da pessoa diante do ciúme e, no caso dos ciúmes patológico, também é necessário medicação psiquiátrica.

Quando o ciúme está descontrolado, prejudicando o relacionamento, fazendo as pessoas sofrerem, é muito importante buscar ajuda.

Às vezes a pessoa ciumenta demais tem noção de suas reações, mas não as consegue controlar. É um impulso tão forte que a pessoa sofre calada. Outras vezes a pessoa acha que suas desconfianças e que seu comportamento estão corretos, fundamentada em sua crença de quem é seu par, como as pessoas devem se comportar, como o mundo se apresenta, etc. Ou seja, sob seu olhar, sua conduta está adequada.

Em ambos os casos, o foco da psicoterapia Cognitivo Comportamental são estes pensamentos que atormentam ou levam ao sofrimento do ciumento ou seu parceiro, também conseguir identificar de onde vem estes pensamentos, as crenças da pessoa sobre si, sobre as pessoas e os relacionamentos em geral, para poder controlar o ciúme.

Lembre que o ciúme excessivo pode minar o relacionamento. O parceiro que sofre com o ciúme pode começar a “inventar” coisas, por sempre estar sendo julgado de forma errônea.
Avalie-se, se você perceber que seu ciúme está causando mal estar na relação, busque ajuda. Você vai se sentir bem melhor.

Por Ieda Dreger

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