Postado em 25 de Maio de 2016 às 09h32

    Drogas na adolescência ou uma droga de adolescência?

    Psicologia Adolescente (19)
    Ieda Dreger | Psicóloga em Chapecó | Especialista em Psicoterapia de família e casal | Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas. Porque é mais fácil entrar no mundo da...

    Conforme cresce o mercado de drogas, diminui a idade dos jovens que experimentam ou fazem uso delas.

    Porque é mais fácil entrar no mundo da droga na adolescência?

    Porque a adolescência é um período de transição, onde ocorrem muitas mudanças no corpo e mente da pessoa. Alguns conseguem passar por este período sem problemas significativos, mas a maior parte tem conflitos.

    Adolescência e puberdade caminham juntas. Adolescência é o amadurecimento emocional e puberdade é o amadurecimento físico. As mudanças objetivam a maturação sexual. Têm seu início entre 11,12 anos e se completa por volta de 16, 17 anos.

    Essas mudanças no corpo geram grandes conflitos, o que contribui para o amadurecimento emocional. O adolescente precisa lidar com:

    1. O corpo infantil que se vai. A voz começa a mudar, o corpo, o cheiro...E não é possível exercer nenhum controle sobre as mudanças. È um corpo diferente, desconhecido, novo.
    2. Nesta fase começa a se pensar sobre as diferenças dos sexos. Começa a haver sentimentos antes não experienciados.
    3. A mudança na percepção dos pais, que antes eram vistos como grandes heróis, agora são vistos como seres falíveis, suscetíveis a erros, fracassos e outros sentimentos que não os fazem mais seres tidos como invencíveis.
    4. Não só o corpo infantil é que muda, mas a infância se vai. Surge o conflito entre a independência e dependência. Entrar no mundo dos adultos é um misto de desejo e temor. Significa a perda definitiva da condição de ser criança e estar protegido.

    É em meio a todos esses conflitos que a droga surge como um elemento capaz de torna-los mais suaves. Oferece uma fuga à realidade e por alguns instantes, sob o efeito da droga, o adolescente sente-se todo poderoso (pois se torna onipotente de fato).

    Em meio a tantas mudanças e na vontade de conquistar sua independência, se une aos grupos. Com medo de não ser aceito por eles, se submete às regras. Muitas vezes busca independência, mas fica dependente das regras do grupo. É importante lembrar que ter grupos é bem saudável, o que deixa de ser saudável é quando o adolescente deixa de ser ele próprio, de ter seus valores para acatar os valores do grupo. É como se negar e despersonalizar-se.

    É importante lembrar que para o jovem, o prazer imediato que a droga pode oferecer é mais interessante do que o perigo que ela pode trazer..

    Umas das queixas mais freqüentes dos adolescentes com os quais trabalho é de não serem ouvidos pelos pais. Nem sempre esse “não ouvir” é proposital. Na maioria das vezes os pais até ouvem seus filhos, mas não conseguem estabelecer diálogo. Pensam que dialogar é impor, mandar. Que são mais velhos e por isso sabem mais, que a sua percepção é única e que o filho deve somente obedecer, etc.

    Estamos em um momento que há muita tecnologia, tv, internet, celular...E esses aparelhos vão ocupando o lugar das conversas saudáveis nas famílias. Há famílias que não sabem fazer uma refeição sem a tv ligada, não há tempo nem espaço para se ouvirem e trocar entre si.

    Quando esse espaço fica pequeno, o adolescente sai em busca de espaço e de ser ouvido em outros locais.

    Isso não quer dizer que a família é a única “culpada” na relação adolescente x drogas. Até porque não estamos tentando buscar culpados e sim compreensões. É importante que a família com adolescentes possa abrir espaço para acolher o novo, um novo corpo, novos amigos, novas percepções...E poder dialogar sobre isso, sempre.

    Por Ieda Dreger

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